Transtorno de Personalidade Borderline


O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem sido pesquisado e investigado desde 1884, quando Hughes, psiquiatra inglês, fez uma primeira observação sobre pacientes com estes padrões de comportamento. Ao longo dos anos, outros estudiosos como Breuler, Freud, Henry Claude, Mereciano, Wilhelm Rich, Franz Alexander, Stern, Mulita Schmideberg, Fenichel, Hoch e Polatin, Henry Ey, Grinker e tantos outros até os dias de hoje, vem tentando desvendar este transtorno que somente pode ser diagnosticado por seus sintomas, uma vez que as causas, até o presente momento, são desconhecidas.


Atualmente, encontramos no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) alguns critérios para que juntamente com a história clínica do paciente o profissional qualificado possa montar um diagnóstico. Estes pacientes mostram grande instabilidade de humor, reatividade exagerada, sofrem com mudanças extremas nas suas relações afetivas, ora amando e ora odiando. Em alguns momentos mostram-se dóceis, afetivos e agradáveis, em outros, expressam sua fúria de forma desproporcional, geralmente desejosos de vingança, pois justificam sua raiva como sendo uma provocação externa.


Existem dois padrões de comportamentos no transtorno, o explosivo, que nos acessos de fúria quebram o que estiver a volta, e o implosivo, que sofre de forma mais depressiva e tem maior tendência a se auto destruir. Em geral, o paciente Borderline busca desesperadamente não ser rejeitado, mas por sufocar o outro nas suas relações, geralmente por este motivo, acaba sendo rejeitado. Importante salientar, que um dos traços de personalidade do paciente que é portador deste transtorno, é ser geralmente muito legal e bom de conviver, são pessoas sensíveis, afetivas, divertidas; mas o transtorno em si, traz como característica a dependência afetiva, medo do abandono e acessos de raiva descabidos.


Quando criança, o paciente Borderline, mostra-se meigo e afetivo, porém, já com traços de dependência afetiva. Em geral, apresentam dificuldades no aprendizado, problemas de concentração e ajustamento social, podendo muitas vezes serem confundidos com o Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Na sua grande maioria, somente na adolescência é que aparecem os descontroles comportamentais por surgirem nesta época as primeiras rejeições afetivas.


Os familiares de um portador do Transtorno de Personalidade Borderline sofrem muito com estes comportamentos. Existe uma tendência em sentirem-se pisando em um campo minado, onde a qualquer momento, por qualquer palavra, estes pacientes explodem e nos seus acessos de fúria, fazem um estrago semelhante a uma bomba que explodiu no peito de cada um dos familiares. Os sentimentos que definem esta relação são apreensão e temor, ou seja, estes familiares são reféns do medo.


Encontra-se com muita facilidade, uma identificação errônea com o paciente bipolar. O bipolar sofre de algo químico cerebral, e pode responder muito bem ao tratamento medicamentoso. O paciente Borderline, sofre de um transtorno de personalidade e, por não ser somente química cerebral, o melhor tratamento é a associação com a psicoterapia, uma vez que o medicamento não muda a personalidade. O medicamento poderá ajudar na redução da impulsividade, da autoagressão e dos acessos de fúria, mas de qualquer forma, vai apenas amenizar.


Percebe-se com muita frequência, uma grande dificuldade do paciente Borderline engajar-se no tratamento, existindo um grande número de abandono do processo terapêutico e um grande número de pacientes que negam-se a fazer o tratamento tanto medicamentoso como psicoterapêutico. O que tem de haver por parte da família, ou pessoas que de alguma forma convivem com pessoas com este transtorno, é um bom conhecimento, uma boa dose de paciência e muito amor.


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